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 "
Devaneio "
                                                             Maria Thereza de Andrade Cunha


Desceria do céu, muito branco, o luar;
Tomarias meu rosto entre as mãos, devagar,
E eu, meus olhos então cerraria, de leve,

Como quem não quer ver... como quem não se atreve. .
Haveria pelo ar um perfume de rosas
E um sussurro de vento entre ramas medrosas.
Falarias depois qualquer coisa, querido,
Qualquer coisa de amor, bem junto ao meu ouvido . . .
Vibraria com minha alma uma emoção divina;
Eu seria mulher. Morreria a menina.
E o milagre do amor te tornaria um deus.
... Pousarias, de manso, os teus lábios nos meus.


(  Antologia da Nova Poesia Brasileira

  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1948  )

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