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 "
Tecedeira "
                                                             Manoel Pereira Reis Júnior


Aranha:
ela tece o aranhol
com fios de prata
que tem no novelo do palpo...

Ela se emaranha Toda
na volúpia de tecer um tapete
de filigranas de luz para dormir...

Dorme e sonha . . .
na faina de viver fiando
a vida inteira...

E a aranha, bailarina sonâmbula,
fiandeira da prata que produz,
descreve em todos os lugares
a giratória, girante das giradas,
que são fios de prata que reluz.

Reviravolteia, sobe, desce,
na augústia de dar a forma
ao fio que ela tece. . .

- Aranha! que sorte bonita é a tua,
de construir um aranhol,
que a noite se tinge de lua,
e de dia se veste de sol! ...


(  Antologia da Nova Poesia Brasileira

  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1948  )

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