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 "
Poemas À Mãe e Ao Pai "
                                                             Luciano Maurício



À Mãe
I

Lá fora a primavera
estoura no peito dos canários.
Cá dentro a luz elétrica
ilumina um corpo hiperbóreo.
Um coração bate mecanizado
pelas aquiescências.
A boca que já solou arrulhos
abre-se agora para deixar
cair num ritmo de valsa
o líquido da vida
com pedaços de primavera indigeríveis.

Não adianta o sol ser amarelo
e existirem quatro rumos opostos a seguir,
que a sorte foi lançada
e traz consigo uma imensa âncora.

II
Ao pai

Então houve a desesperação da estrela
e ela negou-se a guiá-lo.

Não mais o caminho foi certo.
O rumo perdeu-se, e o homem sem bússola
buscou em vão a estrela
por outras estradas.
E quando a noite olhou
com os olhos de medo para a terra
encontrou somente a sombra
dos últimos clamores do homem só .


(  Antologia da Nova Poesia Brasileira

  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1948  )

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