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 "
Poesia Para o Esquife do Artista Morto "
                                                             Luciano Maurício


Os olhos ficaram sempre abertos
buscando a decifração
da milenar incógnita.
Esqueceram-se das pálpebras
e as noites e os dias sucederam-se
sem encontrar vestígios de cansaço
nos olhos petrificados.
Mas o tempo estendeu as mãos
sobre as pálpebras,
e sepultados ficaram
os segredos do indesvendável
para que outros persistam
em outras manhãs.
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A poesia informe
dança no espaço.
Captemos a poesia
de uma forma absoluta.
Ela está solta na praia.
esgarçada nos rochedos,
fundindo-se no azul.
Totalmente invertebrada
mostra-se loura, morena
canta cantigas do sul.
Captemos a poesia.
na linha do "papagaio".


(  Antologia da Nova Poesia Brasileira

  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1948  )

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