jg_top2.gif (4392 bytes)



*****************************************

 "
De Punhos Cerrados "
                                                             Lourival Almeida Valle


Muitas vezes meti as mãos nos bolsos
Para ninguém ver que eu tinha os punhos cerrados.
Muitas vezes baixei a cabeça
para ninguém ver o disco de Newton do meu rosto.
Muitas vezes trinquei os dentes
para ninguém ouvir o meu sangue latejar.
Muitas vezes as montanhas oscilaram diante de meus olhos
e o mar virou monstruosa poça de sangue
e o sol incendiou a mecha das nuvens.
Tudo isso porque eu tinha os punhos cerrados
e a voz embargada.
Mas ninguém soube que eu tinha bílis no sangue
e que meus cabelos branquearam.
Ninguém gozou meu desespero
Mesmo depois de morto ficarei com os punhos cerrados.


(  Antologia da Nova Poesia Brasileira

  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1948  )

*****************************************


Home