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" De Punhos Cerrados "
Lourival Almeida Valle
Muitas vezes meti as mãos nos bolsos
Para ninguém ver que eu tinha os punhos cerrados.
Muitas vezes baixei a cabeça
para ninguém ver o disco de Newton do meu rosto.
Muitas vezes trinquei os dentes
para ninguém ouvir o meu sangue latejar.
Muitas vezes as montanhas oscilaram diante de meus olhos
e o mar virou monstruosa poça de sangue
e o sol incendiou a mecha das nuvens.
Tudo isso porque eu tinha os punhos cerrados
e a voz embargada.
Mas ninguém soube que eu tinha bílis no sangue
e que meus cabelos branquearam.
Ninguém gozou meu desespero
Mesmo depois de morto ficarei com os punhos cerrados.
( Antologia da Nova Poesia Brasileira
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed.
1948 )
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