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 "
Queimada "
                                                             Lobivar Matos



Na campina amarela de sol
o fogo do fazendeiro
passou uma pincelada forte de tinta preta.

E a campina queimada
ficou retinta como uma negra africana.
E como uma negra africana,
nua, de pé, entre línguas vermelhas de fogo,
levanta as mãos para os céus
soltando gritos de fumaça,
implorando a misericórdia divina.

Os céus comovidos
derramam as lágrimas das nuvens - a chuva –
sobre aquele quadro medonho.
A terra sedenta sorveu a chuva
e criou força, criou vida!
Agora, longe da fogueira,
de alegria,,
de contentamento,
anda soltando
gargalhadas fortes de brotos e raízes.


(  Antologia da Nova Poesia Brasileira

  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1948  )

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