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" Ela Vem Sem Nome "
Jorge
Medauar
Ela chegou,
mas nao direi seu nome.
Chegou como de costume,
todavia não é noiva,
nem amante, nem amiga.
É apenas a que vem,
toda vez que me alegro ou me magôo,
toda vez que amo ou que odeio,
porque até no odio ela se faz presente.
Chegou e no entanto
não é noiva nem amante.
Mesmo quando as horas são vazias,
quando nada tenho entre as mãos.
quando tudo se faz ausente,
ela vem.
E quando me agito,
quando anseio,
quando corro ou quando luto,
ela vem.
Vem com os cataclismos,
inundações e terremotos,
com o massacre de velhos e crianças,
com a explosão de obuses e granadas.
Veio quando caiu um pontilhão em minha terra,
quando o Água Preta de Mucambo transbordou nas margens,
quando um braço em alto mar largou a tábua,
quando em Guadalajara alguém morreu dizendo - "hermano
Veio também quando cheguei em casa
e me revi num álbum.
Ela vem sempre e não é surpresa.
Vem com as madrugadas,
com os crepúsculos e as noites.
Vem como agora,
todavia não é noiva,
nem amante,
nem amiga.
( Antologia da Nova Poesia Brasileira
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed.
1948 )
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