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 "
Mulher Cósmica "
                                                             José Carlos de Macedo Miranda


Sexos ainda sangrentos do instante irrepetível
da Primeira Fecundação.
Massa estelar caótica com braços de crianças e canhões e amores.
São o cérebro de Vitor Hugo, o atonalismo,
a bala que o, menino chupou.
Dançam entrelaçadamente a concepção de Deus
e o caixão de minha avó.
Rezas da infância, um quilo de toucinho, Nero.
São Paulo de Loanda, chuva que ontem choveu.
Tuas velhas lembranças, um anônimo que morreu há mil anos.
Formas informes a procura de definições,
caminhando cegas instintos na direção do Hoje.
Mutações milenares por ínvios caminhos,
experimentações erradas, recuos, morte
que perdem milênios de aperfeiçoamento.
Apalpadelas, o tatear em busca de fixação,
eras glaciárias, fogo, descomunais dilúvios.
E a caminhada lenta, tortuosa, difícil, interrompida,
prosseguia!
Depurações de valores
(vide mil volumes de ciência,
mas, principalmente, procurai sentir)
que atingiram metas indefinidas.

Vens úmida de Eternidade
para me beijar na boca!


(  Antologia da Nova Poesia Brasileira

  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1948  )

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