jg_top2.gif (4392 bytes)



*****************************************

 "
O Tempo "
                                                      Helio A. Viana


Imóvel, esperar que o tempo continue.
Malograr gestos já nascidos
e estrangular palavras que já foram ditas

Nem uma vez voltar.

Esperar que torne a correr o rio
e que a luz ressuscite.

Entao,
Olhar em volta e ver o vazio que ficou.
Não mais cheiro de estrume em hortas recém-feitas
ou grito da criança em noite de casal.
Não sobressaltos, angústias, espera impaciente,
Não vozes amigas contando uma esperança.

Conchas vazias na praia,
cartas sem destinatário na mão do sempre carteiro
gotas d’água pingando do infinito,
olhos soltos no espaço, sem orbitas
e na linha do horizonte boca torcida, esperando . . .

Os sinos emudeceram, vencidos pelo silêncio.

Ao longe passa uma sombra,
Imagens de coisas mortas voltam em tropel à memória...

Helio Amaral Viana
Nasceu no antigo Distrito Federal em novembro de 1919.
Filho de Alvaro Viana e Ruth do Amaral Viana.
Em 1948 não tinha livro publicado.


(  Antologia da Nova Poesia Brasileira

  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1948  )

*****************************************


Home