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     "
O Canto do Operário do Mundo "
                                                      Gevaldino Ferreira



Eu amo a luta, o trabalho.
Amo o meu sono cansado.
Amo a cantiga do malho.
Eu amo a própria aspereza
das minhas mãos calejadas.
E não desejo ser mais
que operário. Nada mais.
Quero lutar como um bravo,
num dinamismo sem nome.
construir arranha-céus,
subir ao ultimo andar,
ser pequeninho lá em cima.
Descer ao fundo das minas.
Suar ao calor das fornalhas.
Ver meu suor subindo em nuvens
da boca das chaminés.
Abrir estradas na serra,
dinamitar as pedreiras,
cobrir de trigo as cochilas,
cortar de navios o mar.
Ser mecânico, pedreiro,
estivador, peão de estância,
lenhador ou seringueiro.

Mas que seja diferente:
que o fruto do meu trabalho
desça ao alcance de todos.

Que o milagre do meu braço
seja um milagre de amor,
pra que se faça da vida
qualquer coisa mais humana,
que valha a pena viver.


(  Antologia da Nova Poesia Brasileira

  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1948  )

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