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" Toda Vestida de Azul "
Fernando
Augusto Buarque Franco Netto
Toda vestida de azul.
As pálpebras tenuemente fechadas,
Como à espera de minha voz
Para descobrirem os olhos infinitamente límpidos.
Toda vestida de azul.
A cabeça suavemente reclinada
No travesseiro e no último sonho,
E os cabelos se desmanchando pelos ombros
Como rios de luz.
Fechei todas as janelas,
Para não deixar o vento apagar
O sorriso levíssimo que seduziu teus lábios.
Estas tão pura dormindo!
Para acordar-te pura assim
É preciso chamar Deus..
- Estás toda vestida de azul, Meu Senhor,
E morta.
( Antologia da Nova Poesia Brasileira
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed.
1948 )
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