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" Outonal "
Fernando
Augusto Buarque Franco Netto
Olhei a noite e senti-me só.
Olhei a noite que te abraçava
Com infinitos braços de treva;
De tanto te desejar,
Senti os braços imensos,
E abracei a noite toda
Para abraçar-te dentro dela.
Não posso juntar as estrelas,
Por meus olhos dentro delas.
Se pudesse, não cegava:
Não ceguei quando chegaste.
O forro negro do céu
São teus olhos dissolvidos
Na pele azul do Inf inito,
E teu sorriso se oculta
Atrás dos raios da lua;
Mas a lua se esconde aflita
Atrás de nuvens de chumbo,
Cansada de ser ferida
Que verte sangue de prata.
Que alvura invade o ar!
Sempre imaginei teus seios
De indefinida brancura -
Desce de leve a neblina,
Trama de chuva tão fina
Como o ouro entretecido
Na seda dos teus cabelos.
As nuvens negras castigam
Meu caminhar solitário
Com finas gotas geladas,
Que me escorrem pela face.
E eu beijo a chuva que cai
Longe, nos teus cabelos.
( Antologia da Nova Poesia Brasileira
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed.
1948 )
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