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 "
Cantiga de Agora e Sempre "
                                                       Eliezer Demenezes



Veio o vento. Veio a chuva.
Foi-se a lava. Onde o céu.
Um chão riscado de mágoas.
Um mar revolto de sonhos.
Perdido alguém sem razão.
Caiu a estrela no fundo.
Fundiu-se o astro nas algas.
Luziu o fogo, - por quem.
Estradas de nao sei onde

cruzando o destino meu.
Apelos de toda parte
- caindo em brasa nas almas,
torcendo as rotas do mundo.

Cantiga de agora e sempre.
A! Meu amigo sem face,
meu irmão que não tem nome,
- tão em mim e além eu, -
murchou a rosa dos ventos
no caule de tuas mãos!


(  Antologia da Nova Poesia Brasileira

  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1948  )

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