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" Ato de Caridade"
Djalma Andrade
Que eu faça o bem e de tal modo o faça,
Que ninguém saiba o quanto me custou.
- Mãe, espero em ti mais esta graça:
- Que eu seja bom sem parecer que o sou.
Que o pouco que me dês me satisfaça,
E se, do pouco mesmo, algum sobrou,
Que eu leve esta migalha onde a desgraça
Inesperadamente penetrou.
Que a minha mesa, a mais, tenha um talher,
Que será, minha mãe, Senhora nossa,
Para o pobre faminto que vier.
Que eu transponha tropeços e embaraços:
Que eu não coma, sozinho, o pão que possa
Ser partido, por mim, em dois pedaços.
O soneto Ato de Caridade do queluziano Djalma Andrade
foi considerado pela Academia de Letras de Portugal como
um dos doze sonetos mais bonitos da língua portuguesa.
( Antologia da Nova Poesia Brasileira
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed.
1948 )
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