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Poema ao Soldado Desconhecido
Que não o dos Monumentos
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                                                  Anuar Fares



Os homens arrancaram-to a consciência
E automatizaram os teus nervos.
Então, tu não te emocionaste
Quando abriste o peito do teu irmão,
Quando invadiste os lares
E o v entre das virgens.
Tu ficaste na lembrança apavorada
Das crianças a quem mataste os pais,
A quem destruíste os asilos, '
A quem atiraste ao mar o pão.
Tu também tens um monumento
Nos olhos espantados dos órfãos,
Nos corpos mutilados dos teus irmãos,
Nos filhos que, inconscientemente,

Deixaste germinando na maldição e no pranto
das mulheres violentadas.
Soldado Desconhecido
Os homens arrancaram-to a consciência
E automatizaram os teus nervos.
Que bem não te fariam
Se te arrancassem a memória !



(  Antologia da Nova Poesia Brasileira

  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1948  )

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