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" Poema "
Antonio
Olinto - 1919
O desejo colocado horizontalmente na paisagem
é uma sensação de campainha na hora da comunhão.
Meu Deus -
noite de seminário em noite assim tão longe,
contato com mulher num momento de sino
grito sem fixação no bojo da memória
mas como gritar,
se este seio me grita para o Deus de dentro?
Como ser livre,
se esta praia a comprida como um gesto de criança?
Meu Deus - uma sensação de flor vermelha acesa no meio do dormitório,
de pão molhado em manhãs de paisagem livre.
O desejo num apertar de olhos
e a vida, meu Deus,
num kyre-eleison largo como as portas da noite.
( Antologia da Nova Poesia Brasileira
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed.
1948 )
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