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 "
Noturno "
                                         Antonio Olinto -
1919



Os rios da noite passam pelos desvãos do homem,
por todos os pedaços vazios da memória,
pelos olhos secos de tanta sombra.

É uma presença física
de palavras batidas de vida,
de silêncio oscilante da iminência do grito.

As árvores estão sós - o vento é morto
é preciso um avançar exato do gestos
para captar a vida sob as horas imóveis.

Um piano aberto na areia,
diante do mar e das pedras.


(  Antologia da Nova Poesia Brasileira

  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1948  )

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