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" Simples Surdina "
Alphonsus
de Guimarães Filho - 1918
Morta a vida, talvez me desfaça nos astros
Como a sombra no sol ou as luzes na bruma.
E irei branco sonhar sobre a terra ferida
Ou acender no oceano os faróis já perdidos.
Morta a vida em meu peito, eu irei de mansinho,
Ave leve, talvez, a boiar sobre a espuma,
E ao ouvir no caminho a saudade dos sinos
Nos meus restos talvez esta insônia lateje
E o desejo de estar num distante caminho...
Morta a vida, o meu corpo entre cruzes pendido,
Eu serei o luar a doer nos tens olhos
Quando a noite em teu peito acordar de repente
A saudade de mim na lembrança da morte.
Colhe rosas, talvez. Mas não fujas da estrada.
Fica assim, que do campo hão-de vir outros ventos
Outra vez agitar teu vestido na estrada.
Colhe rosas, talvez. Mas nem lembres, de leve,
Que não tens para o amor o meu corpo sem vida,
Que não tens para a vida os meus lábios sem sangue..
Que minha morte te seja
Na manhã desta estrada a lembrança da vida.
( Antologia da Nova Poesia Brasileira
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed.
1948 )
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