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" Versos A Uma Taça "
Nasceu para servir ao estranho ritual
dos festins, - no cristal puríssimo, sem jaça
reflete da loucura o cortejo triunfal
que alegre, ao seu redor, todas as noites, passa
Quanta dor já entornou ! Quanta alma turva e baça
já ergueu na ilusão de esquecer o seu mal...
Leva o vinho que apaga a tristeza e a desgraça
e põe na boca um riso inconsciente e boçal !...
Destino estranho o seu ! No seu cristal sem bruma
vive num mundo à parte, e insensível parece
ao vinho que transborda e ao champanha que espuma...
E boêmia há de acabar, num último tinir
como as almas que abriga, e aniquila, e enlouquece,
do seu próprio destino... espedaçada, a rir !
(Poema de JG de Araujo Jorge extraído
do livro " AMO ! " 1a edição 1938 )
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