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"Revelação"

Sentirás a embriaguez da vida na tonteira
dos teus sentidos...

E cairás ao chão abandonada ao Sol!

Teus lábios abrir-se-ão como pétalas úmidas
de sangüínea corola bêbeda de mel!

Tuas  mãos sobre a terra, abandonadas, trêmulas,
são como dois pássaros feridos, agonizando
presos aos teus braços...

Teus olhos se encherão de sombras e de estrelas
como as retinas da noite quando a noite desce...

Tua voz morrerá bem lentamente
assim,
como o arrulho dos ninhos quentes e amorosos
na hora doce e sensual em que o dia tem fim...

Mas
de repente
num rompante de Vida
teu corpo vibrará num hino alucinado!
teus olhos conterão dois sóis que te incendeiam!
teus dedos ferirão a terra em que te deitas!

E outros lábios ouvirão o grito de tua boca !


(Poema de J. G. de Araujo Jorge, do livro " AMO ", 1938)

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