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"Naturismo"
Foi aprendendo a ler que aprendi a pensar
e hoje pelo pensar sou um degenerado,
- já foi puro o meu Ser, tal como a Luz e o ar,
como o ar e a luz de um céu sereno e descampado...
Bem que podia ter esse olhar encantado
do homem que não sabia onde parava o Mar...
Sendo bruto, talvez eu me fizesse amado!
Bruto, - que importa? Livre; ao menos poderia amar!
Teria por meu templo o côncavo profundo
dos céus, e a religião que acaso professasse
correria sem deuses, livre, pelo mundo...
No pedestal da ciência: - a beleza sem véus!
E o mais sábio seria o ignorante que amasse
a música da Terra e a poesia dos Céus!
(Poema de J. G. de Araujo Jorge, do livro " AMO ", 1938)
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