*****************************************


"
Eu... e Arvers "

  
 
Hás de ler estes versos algum dia
e mais ou menos pensarás assim:

"- ele ainda sofre muito, e esta poesia
escreveu-a, bem sei, ,pensando em mim...
Sou a mulher que a inspira e que a anima,
pensava em mim no instante em que compôs,
e na incógnita sutil de cada rima
há um pedaço da história de nós dois...
Sinto-me em cada verso, em cada frase,
e as palavras que leio são as minhas...
- Sou eu essa mulher!... Vejo-me quase
na expressiva mudez das entrelinhas..."

E sorrirás... Eu sei que sorrirás
ante a certeza do meu sofrimento,
- é o teu prazer, sorrir desse tormento
que me causaste... e que não finda mais...

Ah! Feliz foi Arvers, bem mais do que eu!
Ao menos, essa a quem ele escrevia,
perguntou certa vez depois que o leu:
- "que mulher será essa..."

E não sorria... 


(Poema de JG de Araujo Jorge extraído
do livro " AMO ! " 1a edição 1938 )


*****************************************

Home