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 "
Tua Carta "


A carta que escreveste é a oração que repito
todas as noites, sempre, antes de me deitar,
à hora em que abro a janela ao azul do infinito
e me ausento de tudo... e me esqueço a sonhar...

Eu, descrente da terra e dos homens, descrente
mais ainda dos céus, com bem maior razão,
murmuro a tua carta religiosamente
pois fiz do teu amor a minha religião...

Tua carta, nem sei... releio-a a todo instante,
ela acende em meus olhos tristes alegrias
e me faz esquecer que te encontras distante...

Paradoxos talvez, mentiras!... Não te esqueço
se toda noite assim (há não sei quantos dias),
com teu nome em meus lábios... rezando adormeço!...


 
( Poema de J. G . de  Araujo Jorge
do livro " AMO ! " -  1938 ) 


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