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Aquarela "

  
Pelo jardim ( será o jardim dos poetas ?)
andam sombras aos pares enlaçadas,
- no alto, trançam-se todas as ramadas
cheias de flores, de botões repletas...

Ainda se ouvem das aves atrasadas
um ruflar de asas trêmulas e inquietas,
- andam faunos e ninfas nas estradas
à procura das sombras mais discretas...

Vivem beijos pelo ar: morrem suspiros !
e a criança, pés descalços, corre o vento
na quietude amorosa dos retiros...

Todos se amam, meu Deus ! E eu só, sozinho !
Quem me dera afinal neste momento
vê-la cruzar adiante em meu caminho !


(Poema de JG de Araujo Jorge extraído
do livro " AMO ! " 1a edição 1938 )


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